Este é o guia mais curto de toda a série, e por uma razão concreta: para ativar a cifragem dos dados, nos telemóveis quase não há nada a fazer, e nos computadores trata-se de uma única opção nas definições.
O único passo que exige atenção — e que vem antes de todos os outros — é guardar a chave de recuperação. É por ele que o guia começa, e é nele que vale a pena gastar mais dois minutos.
Aqui passa-se da teoria à prática da recomendação cifrar os dados dos dispositivos pessoais. Se te interessa perceber o que acontece por baixo, o artigo sobre como funciona a cifragem do dispositivo explica as peças uma a uma.
Nota de variante: este texto está em português europeu. Onde se lê palavra-passe, no Brasil diz-se senha; telemóvel é celular e definições são configurações.
Passo 0 — A chave de recuperação, antes de tudo
Diz-se logo no início porque é a única forma de esta recomendação poder causar um dano.
O que é. Um código, normalmente longo, gerado quando a cifragem é ativada. Serve para desbloquear o disco quando o método normal falha — uma atualização que corre mal, uma avaria, o código esquecido.
Porque é indispensável. Sem ela, nessas situações, os dados perdem-se de vez. Nenhum serviço de assistência os consegue recuperar: é a cifragem a funcionar como deve.
Onde guardá-la:
| Local | Adequado? | Porquê |
|---|---|---|
| Na conta associada ao aparelho | Sim | É a opção predefinida, e funciona |
| No gestor de palavras-passe | Sim | Desde que acessível a partir de outro aparelho |
| Impressa e guardada em casa | Sim | Simples e independente de tudo |
| Noutro aparelho | Sim | Desde que não seja o que ela protege |
| No próprio aparelho | Não | Fica inacessível exatamente quando é precisa |
| Em lado nenhum | Não | É o maior risco desta unidade |
A melhor combinação: na conta e impressa. Duas cópias independentes, nenhuma das quais depende do aparelho.
Um pormenor que poupa sustos: ao imprimir, escreve à mão, na mesma folha, a que aparelho pertence a chave e em que data foi gerada. Quem tem dois ou três computadores em casa agradece-o no dia em que precisar dela.
Passo 1 — O telemóvel
Nos telemóveis e tablets recentes, a cifragem está ativa automaticamente a partir do momento em que existe um código de desbloqueio. Não há nada para ligar.
Para confirmar: abre as definições de segurança e procura a secção sobre o código de desbloqueio ou sobre a proteção de dados. Em muitos sistemas, no fim dessa página aparece uma indicação de que a proteção de dados está ativa; noutros, a secção chama-se cifragem ou encriptação.
Um ponto importante, seja qual for o telemóvel: a cifragem é tão forte como o código que a protege. Um PIN de quatro algarismos enfraquece a proteção inteira, porque é esse o ponto que se pode atacar. Seis algarismos ou mais, ou um código alfanumérico, é a escolha certa — o PIN de seis dígitos é o mínimo razoável. Para o resto das definições que acompanham o código — bloqueio automático, notificações no ecrã bloqueado, bloqueio à distância —, segue o guia para configurar o bloqueio do telemóvel.
Passo 2 — Ativar a cifragem dos dados no computador
É aqui que se concentra o trabalho, porque é aqui que muitas vezes a cifragem não está ativa.
Verificar primeiro
Nas definições do sistema, entra na área de privacidade e segurança e procura uma opção com um nome como «cifragem do dispositivo», «encriptação do disco» ou «proteção de dados». Se existe e está ativa, terminaste.
Se não está ativa
Ativa-a a partir dessa mesma página. O sistema vai perguntar-te onde guardar a chave de recuperação, ou como queres poder recuperar o acesso: a conta associada é a opção mais simples e fiável, e o passo 0 diz o que fazer a seguir.
A primeira cifragem leva tempo — de alguns minutos a algumas horas, conforme o tamanho do disco —, mas o computador continua utilizável durante o processo. Convém só tê-lo ligado à corrente.
Se a opção não aparece
Depende da edição do sistema e das características do computador. Algumas edições profissionais trazem uma ferramenta mais completa, acessível a partir das definições do disco. Em alguns computadores domésticos a função não está disponível: nesse caso existem ferramentas alternativas fiáveis, muitas delas de código aberto, mas pedem mais atenção na configuração.
Se o sistema só a oferece na instalação
Em alguns sistemas, a cifragem do disco escolhe-se no momento da instalação, numa opção do assistente. Acrescentá-la depois é possível, mas trabalhoso: se o sistema já está instalado sem ela, o caminho mais simples é reinstalar com a cifragem ativa — depois de uma cópia de segurança completa.
Passo 3 — Os suportes externos
É a parte mais esquecida e uma das mais úteis, porque pens e discos externos são os objetos que mais facilmente se perdem.
Na maior parte dos sistemas, basta abrir o menu de contexto da unidade (o que aparece com o botão direito do rato) e procurar a opção de cifragem. Também aqui é gerada uma chave de recuperação, que segue as mesmas regras do passo 0.
Noutros, a opção é formatar a unidade como volume cifrado. Atenção: a formatação apaga o conteúdo, por isso copia primeiro os dados para outro sítio.
Uma alternativa mais simples, para quem só precisa de proteger alguns documentos: criar um ficheiro comprimido protegido por palavra-passe. É menos robusto do que uma cifragem completa, mas é imediato e funciona em todos os sistemas.
Passo 4 — A verificação final
Vale mais fazer uma verificação explícita do que dar o assunto por arrumado.
| Aparelho | Como verificar |
|---|---|
| Telemóvel | Definições de segurança, secção sobre o código ou a proteção de dados |
| Computador | Definições de privacidade e segurança, opção de cifragem do dispositivo ou do disco |
| Disco externo ou pen | O ícone mostra um cadeado, ou o sistema pede a palavra-passe ao ligar |
O teste mais simples para um suporte externo: desliga-o e volta a ligá-lo. Se te pede uma palavra-passe, está cifrado. Se abre sem perguntar nada, não está — e o artigo sobre os sinais de que a cifragem não está ativa ajuda a tirar as dúvidas que sobrarem.
O que fazer a seguir
Três cuidados que completam a recomendação.
Reforça o código de desbloqueio. A cifragem é tão forte como ele. Se tem quatro algarismos, alongá-lo é a forma mais rápida de melhorar a proteção do aparelho inteiro.
Ativa a função de localização do aparelho. Permite localizar, bloquear e apagar à distância. É complementar à cifragem: uma protege os dados, a outra dá-te opções se o aparelho desaparecer.
Revê as cópias de segurança. A cifragem aumenta o risco de perda definitiva em caso de avaria. Uma cópia de segurança regular — ela própria cifrada — é a contramedida.
As objeções mais frequentes
«Torna o computador mais lento.» Nos aparelhos dos últimos anos, a cifragem é feita por componentes de hardware dedicados e o efeito no desempenho não se nota. Em computadores muito antigos pode haver algum impacto, geralmente pequeno.
«Se me esquecer da palavra-passe, perco tudo.» É verdade, e é exatamente por isso que o passo 0 vem antes de todos os outros. Com a chave de recuperação guardada, o risco fica controlado.
«Não tenho nada de importante.» O disco tem credenciais guardadas, sessões ativas, correio, fotografias e — quase sempre — dados de outras pessoas. É quase sempre mais do que aquilo de que nos lembramos, como mostra o inventário do impacto dos dados sem cifragem.
«O telemóvel já tem código.» O código protege o acesso normal. Na maior parte dos telemóveis recentes também ativa a cifragem, mas nos computadores são duas coisas separadas: a palavra-passe de entrada não cifra nada.
«É complicado.» São dois cliques. A parte que exige atenção é onde guardar a chave, e são mais dois minutos.
«O computador é da empresa, eles tratam disso.» Muitas vezes é verdade, e é uma das razões por que as organizações a impõem. Mas uma verificação não custa: a opção nas definições diz-te em trinta segundos, e saber como está configurado o aparelho que usas todos os dias é útil de qualquer modo.
«A primeira cifragem demora horas.» No computador, sim, se o disco for grande, mas ele continua utilizável durante o processo: podes continuar a trabalhar. Nos telemóveis recentes a operação já foi feita na primeira utilização.
As cópias de segurança: a parte que completa a cifragem
Tem de ser tratada aqui porque é o ponto em que esta recomendação mais vezes fica sem efeito.
O problema. Cifrar o computador e guardar as cópias de segurança às claras num disco externo é proteger um exemplar e deixar o outro acessível. E o disco das cópias contém exatamente as mesmas coisas.
O que verificar, conforme o sítio onde guardas as cópias:
| Onde | O que verificar |
|---|---|
| Disco externo | Que está cifrado: ativa-se nas propriedades da unidade |
| Serviço na nuvem | Que a conta tem uma palavra-passe robusta e segundo fator |
| Outro computador de casa | Que também está cifrado |
| Um aparelho de armazenamento em rede | Que oferece cifragem, e ativá-la |
A segunda linha merece uma precisão: a proteção de uma cópia na nuvem não é a cifragem do teu aparelho, é a segurança dessa conta. São duas defesas distintas, e uma não cobre a outra.
Se tivesses de guardar uma só frase: cifra o aparelho, e cifra também a cópia.
Um caso particular: os aparelhos antigos que vais pôr de lado
Se tens em casa telemóveis ou computadores que já não usas e que não estão cifrados, eles continuam a guardar tudo o que lá entrou enquanto estavam em uso.
O procedimento mais simples, e mais eficaz do que um apagamento:
- Liga o aparelho e ativa a cifragem, se ele a suportar. A operação torna ilegível o que lá está.
- Depois, faz um restauro de fábrica. O restauro elimina a chave e, com ela, qualquer possibilidade de recuperação.
- Se o aparelho não suporta cifragem e guarda dados que te são caros, o caminho é um apagamento seguro com ferramentas próprias — ou, para um disco que não vai voltar a ser usado, a destruição física.
Antes de avançar, duas verificações que convém fazer:
- Desassocia o aparelho das tuas contas. Um aparelho ainda associado pode criar complicações a quem o receber e continua na tua lista de dispositivos ligados.
- Retira os cartões de memória e o cartão SIM, que ficam muitas vezes lá dentro e o restauro não toca.
Para um disco externo ou uma pen que queiras reutilizar: formatá-lo como volume cifrado é mais rápido e mais seguro do que qualquer apagamento, porque a partir desse momento tudo o que lá escreves já fica protegido.
Ligação ao Framework Cyber Welfare
Ativar a cifragem dos dados é sobretudo uma questão de competência prática: saber onde procurar, o que ativar e onde deixar a chave.
| Pilar | Contributo deste conteúdo |
|---|---|
| Competências | Verificar o estado e ativar a cifragem em todos os aparelhos |
| Consciência | Saber que a cifragem é tão forte como o código de desbloqueio |
| Comportamento Seguro | Guardar a chave de recuperação antes de ela ser precisa |
Níveis de maturidade digital.
- FL1 – Básico. Não sabes se a cifragem está ativa, nem onde o verificar.
- FL2 – Inicial. Confirmaste a cifragem no telemóvel e ativaste-a no computador, com a chave guardada na conta.
- FL3 – Autónomo. Cifraste os suportes externos e guardas a chave em dois sítios independentes.
- FL4 – Hábil. Cifras também as cópias de segurança, e cifras e restauras os aparelhos antigos antes de saírem de casa.
- FL5 – Especialista-Guia. Ajudas familiares e colegas a fazer o passo 0 antes de ativarem a cifragem.
O nível de referência deste conteúdo é o FL2 – Inicial.
O que podes fazer hoje
- Sei onde está a chave de recuperação do meu computador — e há uma segunda cópia?
- O disco externo ou a pen que uso mais pede palavra-passe quando o ligo?
- As cópias de segurança estão cifradas como o aparelho de onde vêm?
Lista breve
- ☐ Chave de recuperação guardada na conta e impressa
- ☐ Cifragem confirmada no telemóvel, com código de seis algarismos ou mais
- ☐ Cifragem ativa no computador
- ☐ Discos externos e pens cifrados
- ☐ Cópias de segurança cifradas
- ☐ Função de localização ativa
Para perceber onde estás no conjunto das recomendações, podes fazer a Autoavaliação de Resiliência Digital.
Resumo
- O passo 0 é a chave de recuperação: sem ela, a proteção pode transformar-se numa armadilha.
- Nos telemóveis a cifragem está quase sempre ativa; nos computadores, muitas vezes não.
- A cifragem é tão forte como o código: quatro algarismos enfraquecem tudo.
- Discos externos e pens são o ponto mais esquecido e o mais fácil de perder.
Para começar já. Abre as definições de segurança do computador e verifica se a cifragem está ativa. Se não estiver, ativá-la e guardar a chave são cinco minutos — e mudam por completo o que significa perder aquele computador.
Conteúdos relacionados
- cifrar os dados dos dispositivos pessoais — a recomendação que este guia põe em prática
- como funciona a cifragem do dispositivo — porque é que a chave de recuperação existe
- sinais de que a cifragem não está ativa — como confirmá-lo com certeza
- impacto dos dados sem cifragem — o que está em jogo
- cifragem do disco — a entrada de glossário sobre o mecanismo
Dá o primeiro passo: o Programa «Protege a Tua Privacidade Digital» acompanha-te gratuitamente, uma recomendação de cada vez.









